Existem jogos complicados, apelativos, malditos,
desgraçados, extremamente difíceis e existe Ghost n’ Goblins! Não há melhor
definição para este game da Capcom lançado em 1985.
Ghosts n' Goblins - Taito 1985
Para não parecer injusto, quero deixar bem claro que este
jogo é muito bom e que a meu ver, tem uma importância tremenda no gênero aventura,
ainda mais abordando o terror como tema.
Para os desavisados, o jogo retrata a jornada de Arthur que
tem a sua namorada Guinevere raptada por um demônio e vai à luta para
resgata-la, enfrentando zumbis, monstros, abutres, morcegos, fantasmas, demônios,
e além de tudo, o tema abordado: a Dificuldade.
O que será que Arthur fazia sem a armadura nessa hora?
Dificuldade, pois, além de habilidade, contar com a sorte
faz muito a diferença neste jogo. Aqui não existem saltos duplos. Perdeu o
tempo do salto ou calculou mal a distancia é morte certa! Os reflexos também precisam
estar em dia para desviar de zumbis que surgem dos seus pés ao mesmo tempo em
que um fantasma vai a sua direção e alguma magia é arremessada contra você. Aqui um “pixel” faz uma diferença quando o assunto
é se esquivar ou saltar, pois não é possível se pendurar nem corrigir a direção
errada durante a sua ação. Comandar Arthur em Ghosts n’ Goblins é assumir uma
responsabilidade! Não que seja assim tão fatal, pois o primeiro erro faz Arthur
perder a armadura e ficar apenas de “samba-canção”, mas jogar semi nú te deixa
ainda mais inseguro, ainda mais quando o próximo vacilo te faz virar uma pilha
de ossos.
As 6 fases de Gn'G.
Vamos ao resgate!
Durante seu progresso, alguns itens aparecem em vasos que
melhoram a tua jogabilidade. No inicio contamos com lanças, que depois são substituídas
por tochas ou escudos. Às vezes, certos itens mais atrapalham do que ajudam. Se
tiver oportunidade de contar com escudos, voltar a ficar com as lanças se torna
bastante desvantajoso, principalmente nas ultimas fases do jogo. Até porque o
escudo repele as magias que são arremessadas contra você.
Se não bastasse ser um jogo medonho, ele ainda testa a sua paciência,
pois ao final das suas 6 fases, quando você consegue enfim derrotar “o capiroto”
surge uma mensagem que diz que o “chifrudo” era uma “ilusão” e você é obrigado
a jogar TUDO DE NOVO!!!! Sim, desde o começo! AAAARRGGGHHHH!!!!!
Puta merda!!!
Enfim, depois de passar por tudo de novo, porem com a
vantagem (se podemos assim considerar) de jogar com o item escudo desde a
primeira fase, pois parece ser menos maldito que da primeira vez.
Lembro-me muito bem de Ghosts n’ Goblins como a primeira
maquina a sofrer “agressões” de seus jogadores. Era comum ver jogadores
perderem a paciência com esta maquina e sentar a porrada no joystick e até
chutar a entrada de fichas como forma de extravasar suas frustrações e revolta.
Creio que aprendi alguns palavrões nesta época também...
Tentei jogá-lo algumas vezes, mas nunca cheguei ao primeiro
mestre. Porem não me sentia mal por isso, pois quase ninguém conseguia chegar também.
Com muito custo vi um cara chegar na quarta fase com uma única ficha. Nunca
presenciei alguém chegar no final de Ghosts n’ Goblins naquela época. Creio que
muita gente também não viu.
Vi recentemente um vídeo no Youtube com um cara salvando o
game. Irei posta-lo aqui, pois creio que muita gente finalmente conseguirá enfim
ver como esta aventura acaba.
Enfim, o final!
Eu até joguei estes dias no emulador e mesmo com um monte de
continues não cheguei no final da primeira vez. Perdi a paciência e fui jogar outra coisa.
Confesso que você tem que estar num dia bem tranquilo para poder joga-lo.
E só pra deixar bem claro, existe sim um jogo mais difícil que
Ghosts n’ Goblins. Ele se chama Ghouls n’ Ghosts de 1988... ou seja, sua
continuação.
Não há nada tão ruim que não possa piorar...não é mesmo?
Clássico no dicionário tem dentre seus vários significados as
denominações de “tradicional” ou “que é de estilo impecável e constitui modelo
digno de imitação”. Creio que estas denominações se aplicam mais a estes games
que descreverei logo mais.
Quando o assunto é vídeo game e nos referimos a clássicos,
já nos vem à cabeça jogos como Street Fighter, Final Fight, Mortal Kombat, The
King Of Fighters, Fatal Fury, Super Sidekicks Soccer entre outros. Porem há uma
coisa em comum na maioria deles que deve ser citada: Quase todos são dos anos
90. Isso claro, não é (e nunca será) um problema. Apenas um fato.
E quanto aos games que existiam antes destes considerados
“pais dos arcades”? Como sabemos, os primeiros arcades foram desenvolvidos no
inicio dos anos 70 e não sabemos de fato muito a respeito deles aqui no Brasil.
Sabemos apenas que o ATARI nos ajudou bastante a descobrir a
maioria dos jogos que inicialmente foram projetados para arcade e posteriormente
foram convertidos (com muito menos recursos gráficos) para versões caseiras.
Muito provavelmente, eu e a maioria de vocês que estão com
30 e pouco e até os que são um pouco mais jovens com 25 anos , tenham jogado
alguns destes arcades já nos anos 90 sem saber que eles eram na verdade os
“avós dos videogames”. Claro que isso se
deve ao atraso do Brasil em tudo que era tipo de lançamento em qualquer tipo de
coisa que era lançado lá fora. Um exemplo claro eram os LP’s que levavam em
media um ano e meio para serem reproduzidos aqui após seu lançamento.
Consoles de 8bits como Master System, Nintendinho, Phanton
System e Turbo Game tiveram esta missão de nos apresentar games de arcade em
formato caseiro, mas como dito antes, chegaram por aqui muito tarde e muito
caros. Logo entrou os anos 90 e o nosso “auge arcade” veio à tona.
Infelizmente, muito destes games estavam encostados entre os
da geração anos 90 e era muito difícil pra gente deixar de jogar um Street
Fighter quando você havia lutado tanto pra conseguir um trocado para comprar
uma ficha. Ou vai dizer que vocês nunca notaram uma maquina de “navinha” ou um
“come-come” entre os demais gabinetes espalhados dentro dos fliperamas?
Sim meus amigos... Eles estavam lá! Esperando pela sua
ficha, mas você nunca quis saber de quebrar recordes e registrar a maior
pontuação da maquina. Nascemos com o propósito de fechar o jogo e não com o
objetivo de fazer mais pontos. O exemplo claro disso era quando perdíamos. A
maioria de nós apertava freneticamente os botões de continue na hora de colocar
o nome e só registrávamos AAA.
Até para não sermos injustos com eles, estes jogos
considerados “os avós dos games” tinham o único propósito de “comer dinheiro” e
eram difíceis pra caramba. Até pro mais “boy” dos moleques que compravam “1
barão de fichas” estes jogos se tornavam desestimulantes. Sem falar que alguns
eram repetitivos.
Historicamente, em meados dos anos 80 os games começaram a
ser mais caprichados e com um enredo no seu desenvolvimento, o que motivou e
despertou o interesse da molecada em querer joga-los. Aqui no Brasil, nos
bairros e botecos da vida, estas maquinas vieram de qualquer jeito misturando
clássicos com lançamentos da época.
A maioria de nós só veio a “experimentar” estas maquinas de
forma improvável. Talvez por se cansar de esperar os caras viciados nos games
mais populares, nós nos aventurávamos em jogar estas maquinas e nos
surpreendíamos. Eram legais e muito viciantes!
No meio deste pacote de jogos Clássicos dos arcades, irei
também citar excelentes games dos anos 80, com bons gráficos, bons enredos e
que alguns provavelmente até serviram de inspiração para o surgimento de outros
jogos mais cultuados.
Vale lembrar a todos que estes que aqui descreverei foram
jogados por mim quando eu era moleque dentre as varias casas de fliperamas e
botecos do bairro que haviam por aqui. Sei que poderei não citar um ou outro
game só pelo fato de não tê-lo jogado naquela época ou por puro esquecimento. E
claro, como foi à experiência de jogar cada um deles e toda a atmosfera em
torno de cada descoberta... Se não, não haveria graça, né?
Galaxian (1979)
Existiram milhões de cópias de jogos com esta mesma
temática: nave espacial com a missão de proteger o planeta da invasão
alienígena. Provavelmente, um “primo rico” de Space Invaders (primeiro jogo com
esta ideia), Galaxian apareceu por aqui no bairro em 1990 num gabinete todo
vermelho e com tela na vertical, que para mim era uma baita novidade. Maquina
totalmente silenciosa durante a apresentação, porem extremamente barulhenta
após introduzirmos uma ficha. Chamava muito a atenção de quem estava no
fliperama só fazendo uma horinha. Tentei a sorte algumas vezes e até não era um
mal jogador, mas você não tinha muita moral entre os moleques sendo um
excelente jogador de “Galaxian”...
O jogo em si não é muito diferente dos demais com esta mesma
proposta. Acho que pessoalmente, o avanço que tinha até então como comparação
era o fato das naves adversarias se lançarem contra você num efeito Kamikaze,
diferentemente dos games que eu jogava no Atari (o próprio Space Invaders e o
Condor Attack) que só se moviam para os lados e se aproximavam gradativamente.
Pacman (1980)
Um dos jogos mais populares de todos os tempos (que
completou 35 anos na ultima semana), o popular “come-come” também apareceu por
nossas bandas no inicio dos anos 90. Diferentemente de alguns jogos
considerados “segunda opção” do fliperama, Pacman tinha seus jogadores assíduos!
Sim cara, entravam pessoas no fliperama que iam direto joga-lo, mesmo com
varias outras maquinas a disposição. No Atari, o jogo era muito mais “pobre”
graficamente falando, mas quebrava uma baita galho.
Eu era, e ainda sou muito ruim no Pacman. Até porque não era
sempre que esta maquina (por mais incrível que isso possa parecer) estava à disposição.
Pra um moleque de oito ou nove anos, Pacman não era um atrativo de nossa
preferencia. O perfil dos jogadores de Pacman era de caras mais velhos.
Um fato curioso que descobri lendo um livro sobre
videogames, é que Pacman não era um joguinho de “come-come” tão inocente como
pensamos. Trata-se de um personagem viciado em comprimidos que via fantasmas em
suas alucinações. Ou seja: Pacman é um dependente químico!
1943 (1987)
Sequencia de uma serie de games que retratavam as batalhas
aéreas da 2ª guerra mundial, 1943 era a versão que aterrissou por aqui no
inicio dos anos 90. Historicamente, o jogo se passa na invasão americana ao
Japão pelo Oceano Pacifico.
Realmente 1943 era bastante desafiador e joga-lo em dupla
facilitava um pouco mais as coisas. O desafio não chegava a ser absurdo, pois
com o tempo você acaba ganhando habilidade de atirar e desviar a nave dos tiros
e dos kamikazes, ainda mais quando você conseguia pegar armas e melhorar sua
capacidade de tiros que iam para as laterais ou com maior poder de destruição.
Havia também a possibilidade de conseguir aliados, que na verdade eram duas
naves que se alinhavam uma de cada lado e te ajudam a destruir os oponentes.
Era um game procurado por aquelas duplas manjadas de caras
que quando entrava no fliper a gente já sabia o que eles iriam jogar. Eu não era um viciado, mas não me saia muito
mal. Ainda mais quando jogava em dupla.
Rally-X (1980)
Se é para sentir remorso, este com certeza é o jogo certo
para ser citado. Digo isso, pois só joguei Rally-X uma única vez na minha
infância e hoje eu não me sinto só arrependido, mas sim culpado. Oportunidades
não me faltaram, pois passei em frente desta maquina varias vezes e sempre
torci o nariz, pois “julguei o livro pela capa”. Somente com os emuladores eu entendi
a proposta do jogo e reparei a imensa cagada que eu fiz.
Rally-X é muito mais do que um simples jogo de “corrida”,
(como eu imaginava lá com meus 8 anos de idade) e sim um grande game de
perseguição com um desafio gigantesco e diversão garantida. Não é nenhum pouco
enjoativo. Pelo contrario, quanto maior a dificuldade, mais ficamos vidrados no
jogo.
Para quem cometeu o mesmo erro que eu de nunca tê-lo jogado,
Rally-X tem como objetivo coletar todas as bandeiras do labirinto, tendo um
radar para auxilio. No começo, apenas um carro te persegue, mas conforme as
fases avançam, o numero de carros, a velocidade, os obstáculos aumentam. Sua
única arma é despista-los com fumaça, porem com mais fumaça, seu combustível
acaba.
Xevious (1982)
Com certeza um dos mais belos jogos de tiros que joguei.
Diferentemente dos outros games de tiro, a nossa nave possui uma mira, pois o
game se passa numa superfície terrestre (um diferencial na época em que estes
jogos só se passavam no espaço sideral). Além de naves inimigas, destruímos
tanques e bases terrestres, tanto fixas quanto móveis. Para isso temos dois
botões de tiros, onde um destrói naves e o outro arremessa bombas nos inimigos
que vem por terra (ou pelo mar).
Destaque para os chefes que são naves espaciais gigantescas,
mas com a vantagem de usar a nossa mira, derrota-los se torna algo menos
trabalhoso.
O ponto negativo deste game é não possuir final. Ou seja,
game típico para quebrar recordes e não para ser salvo. Acho que foi por isso
que ele não “vingou” muito por aqui.
No final dos anos 80, inicio dos 90 estávamos passando por
um período politico onde a antiga URSS perdia suas forças, simbolizada
claramente com a queda do muro de Berlim em 1989. Era o fim do Socialismo. As Alemanhas
(Ocidental e Oriental) viraram uma só e o Capitalismo reinou absoluto a partir
daí. Os EUA venceram a Guerra Fria! (termo utilizado por ser uma guerra travada
por relações e ameaças, mas sem confronto “direto” entre os dois países).
Para quem viveu esta época (como eu) mesmo como criança,
percebia através dos filmes que o “cara do mal” era sempre um cara com alguma
coisa vermelha predominante em sua roupa, símbolos (geralmente estrela vermelha
ou a foice e o martelo em amarelo), camiseta, bandeiras entre outros. Este cara
era geralmente loiro (russo, ou melhor, soviético) ou um japonês “moreno”, que
no caso poderia ser um Vietnamita, Chinês ou Norte Coreano, países de regime
socialista. Não importava o gênero do
filme, os inimigos eram sempre os mesmos.
Como nós brasileiros éramos (e ainda somos) influenciados
fortemente pela cultura americana, assistíamos muitos filmes ou seriados de
guerra, como Platoon, Bradock, Bom dia Vietnam, Combate no Vietnam (serie que
passava no SBT, ou melhor, TVS) Apocalipse Now e o principal: Rambo. Todos eles
tendo como objetivo derrubar o Socialismo e o poderio Soviético.
Platoon - 1986
Braddock - 1984
Rambo - 1983
Se Holywood tinha seus representantes, o mundo dos games
também se interessou pelo mesmo universo das explosões e tiros. Em 1988, surgiu
o arcade CABAL.
CABAL - 1988
Não que Cabal tenha sido propositalmente feito com o
objetivo de incitar na cabeça da molecada que Mikhail Gorbachev (lê-se Micael
Gorbatchov) era seu maior inimigo, mas como todos os games da época, pegaram o
gancho de fazer um game com base nos filmes cujo tema chamava a atenção e
consequentemente gerava lucro (viva o Capitalismo!).
Antes de Cabal, havia o Green Baret (boina verde) que era um
jogo de rolagem lateral, dificílimo, onde o inimigo era descaradamente a URSS,
até porque ele era de 1985 e nesta época “os soviéticos” ainda batiam de
frente. Depois surgiu o popular Comando, que saiu até para Atari, e o game
Ikari Warriors da SNK (neo geo) que na verdade eram bem parecidos onde você
controlava um soldado que avançava pela tela de baixo para cima e atirava para
todos os lados. Não sacou? Imagine um jogo de navinha (shooter)? Agora
substitua a nave por um soldado... é basicamente isso aí!
Commando - 1985
Green Beret - 1985
Ikari Warriors - 1986
O game era basicamente entrar na pele de um soldado
solitário contra um exército inteiro, incluindo tanques, helicópteros e aviões,
onde sua única defesa era o cenário e sua pontaria, no melhor estilo Silvester
Stallone ou Chuck Norris.
Havia três botões, onde um constantemente atirava, outro
arremessava granadas e o terceiro servia de esquiva (rolamento lateral). O jogo era dividido em quatro estágios até chegar ao chefe,
que eram desde a caminhões tanque, Navios de guerra, Submarinos, Helicópteros entre
outros.
O destaque para este jogo era a oportunidade de destruir
todo o cenário. Casas, torres, aviões, arvores, ou seja, tudo podia ser
destruído “na bala”, e o melhor, estes itens davam granadas e armas com poder
de destruição maior.
Com o passar das fases, claro, o desafio aumenta. O numero
de inimigos para destruir aumenta, os tiros aumentam de frequência e de
velocidade se tornando insano! A vantagem é que ao rolar para os lados os tiros
não pegam em você. O problema é ter raciocínio e coordenação motora para mirar,
atirar e ainda cuidar da integridade física do seu soldado onde uma única bala
é fatal! Apesar de ser basicamente a mesma coisa em todas as fases o jogo é bem
legal e viciante. Mais legal ainda é a comemoração frenética do seu soldado ao
passar de fase...
Aeeeee !!!
Esta maquina apareceu aqui pelo bairro na Dragon Fliper em
1990 e era bem disputada no começo. Como era possível jogar em dupla, ela
proporcionou muitas amizades por aquí. Até porque o jogo era muito cooperativo,
onde muitas pessoas só conseguiam fecha-la jogando “de dois”. Não me lembro de pessoas que fecharam este
jogo na época jogando individualmente.
Eu, como qualquer criança de 9 anos, parecia um soldado
amedrontado que saia atirando desesperadamente pra qualquer lado que o nariz
apontava. Com certeza era uma das minhas piores atuações em games de todos os
tempos.
Apesar de gostar muito deste jogo, só pude fecha-lo no
emulador, até porque esta maquina deve ter durado por aqui no máximo até o
inicio de 1992.
Mais legal ainda é que a primeira vez que fechei este jogo
eu estava jogando com meu filho de 7 anos. Créditos infinitos é verdade, mas
mesmo assim foi muito marcante...
Empolgado com a Copa do Mundo de 1990 na Itália e com
pequenos lampejos da Copa de 86, o futebol já corria em minhas veias numa
intensidade muito grande naquela época mesmo com 9 anos de idade. Até porque eu
sendo o caçula de três irmãos, com uma diferença de 5 e 4 anos respectivamente já
vivia inserido neste ambiente futebolístico através de figurinhas das Copas,
Futebol de Botão, programas esportivos da TV e revistas Placar do meu pai.
Pra vocês terem uma ideia, se eu fosse ganhar um presente
naquela época que não fosse futebol de botões, que fosse uma caixa de
canetinhas! Sim, isso mesmo! Eu adorava pintar bandeiras de países quando era
criança, tudo por conta do futebol.
Lembro-me que meus irmãos colecionavam figurinhas do
chiclete Ploc em 1986, que vinham com as figurinhas dos jogadores. Maradona e
Careca eram os “Messis e Neymares” daquela época. Também tinham álbuns do
Paulista de 1989, Copa União de 1987, Brasileirão de 1988 e 1989 e por aí vai. O
que eu tive participação foi no álbum da Copa de 1990 que foi o 1º que
completamos. Tenho-o até hoje. Judiado, mas “tá vivo”!
O meu ta mais "judiado"
Até aqui, de forma “digital” o único futebol que havia
jogado era o do Atari. Aquele que o campo era visto de cima e você comandava três
jogadores ao mesmo tempo. A bola era quadrada, mas até aqui algo perdoável. Com o tempo, facilmente foi abandonado e
esquecido pelo futebol de botão, onde tínhamos uma boa coleção.
Futebol de botão da minha coleção
Futebol do Atari
Minha primeira experiência com um game de futebol em formado
Arcade foi mesmo em 1990, aqui no bairro já na casa que leva o nome deste Blog “Dragon
Fliper”. Era o Euro League 90!
Pra quem não conhece, ele é um jogo da Tecmo, feito em 1989
com países e com nome original de World Cup 90, ou seja, totalmente feito pra
Copa. Originalmente com 8 países: Argentina, Brasil, Itália, Japão, EUA,
Inglaterra, Alemanha Ocidental e União Soviética. Pra quem não sabe o muro de
Berlim só caiu naquele ano. Os uniformes não eram fiéis as seleções de verdade
(Itália era vermelha, Inglaterra laranja e URSS era toda preta). A versão Euro
League 90 com clubes foi na verdade “hackeada” por italianos. Porem fez mais
sucesso que a original.
World Cup 90 original
Versão original com países
Era o maior avanço que eu já tinha visto na minha vida
relacionado a um game de futebol. Sim, a bola era redonda!!! O que mais me
deixou impressionado era porque ele é um game de futebol de clubes europeus, e
eu com 9 anos (pasmem) já conhecia todos aqueles clubes, e sabia perfeitamente
porque eles estavam naquele jogo: Os maiores jogadores do mundo naquela época estavam
naqueles clubes.
Euro League 90 "hackeado"
Versão hackeada com clubes europeus
Van Basten, Gullit,
Rijkaard que eram craques holandeses do Milan, além de Baresi e Maldini
zagueiros italianos. Os craques alemães Klismann e Mathaus jogavam na
Internazionale, e no Napoli havia Maradona, Careca e Alemão, das seleções
argentina e brasileira. Além destes clubes havia Bayern de Munique, Real
Madrid, Barcelona, Atlético de Madrid e PSV. Todos com jogadores daquela Copa.
Pra quem não lembra, o Romário jogava no PSV naquela época.
O game era realmente uma Liga. Você escolhe um clube e
jogava contra todos. Um simples empate já era. Havia dois botões. Chute e
lançamento, que sem a bola serviam de carrinho e pra mudar o jogador
respectivamente. Também podíamos cabecear com o botão de chute quando a bola
estava pelo alto. Dava até pra fazer gols de peixinho e bicicleta. Motivo de
euforia dentro do fliperama quando conseguíamos fazer estes Gols.
Os clubes eram iguais. Não havia um melhor que o outro.
Tanto faz jogar com qualquer clube que não havia esquemas e toda a frescurada
que existe hoje. Graficamente era muito avançado, pois eram raríssimos os jogos
de futebol que os uniformes tinham listras. Até nos 16 bits este detalhe era
raro. Que eu me lembre, só o Striker de 1992 tinha este recurso. Só era ruim jogar
um Bayern e PSV ou Barcelona e Internazionale, pois os uniformes se confundiam.
O Milan e o Real Madrid eram os mais escolhidos além do Napoli.
Confuso,hein?
Meu desempenho era “daquele jeito”. Chegava até a 4ª partida
e olhe lá. Nem com continues eternos e um balde de fichas eu nunca havia
conseguido fecha-lo. Somente nos Emuladores eu consegui esta proeza depois de
inserir créditos até não caber mais. Acho que levei uns 9 ou 10 continues para
zerá-lo aqui em casa depois de uma fila de mais de 20 anos sem joga-lo.
Como sempre, meu
irmão do meio era o viciado. Fazia gols de tudo que é jeito. Ele era aquele
cara que salvava a ficha dos outros. Se o jogo tava amarrado, faltando 15
segundos pra acabar alguém gritava: - André, ajuda aqui! Ele pegava o joystick
e resolvia. Era gol de fora da área, de peixinho, bicicleta e a mais apelativa
de todas: a sequencia de cabeçadas! Quem não se lembra, vou postar um vídeo aqui
onde um cara fecha o jogo com uma ficha usando todos estes recursos apelativos.
Agora imagine depois de um game deste se eu queria jogar
novamente os botões que tinha em casa? Cara foi difícil... Só retomei os botões
porque infelizmente o arcade durou pouco tempo por aqui. Acho que em 1991 ele
já não figurava entre os fliperamas da região. Uma pena...
Só pra nível de curiosidade, meu pai e meu irmão mais velho
são corinthianos, meu irmão do meio (o viciado) é são paulino, e eu, sem
explicação física nem espiritual sou Santista por opção e convicto! Ou seja, a
minha fila pra fechar o Euro league 90 foi semelhante ao calvário que passei
para ver somente o meu Santos Campeão em 2002 aos 21 anos de idade.
É CAMPEÃO! É CAMPEÃO!
Época desgraçada pra mim viu, futebolisticamente falando...anos
90 foi dureza!
E vocês, já conheciam este jogo? Onde jogaram? Falem aí!!!!
Em 1990, com nove anos, eu era uma criança normal em meio
a várias distrações como futebol de botão, figurinhas e a minha primeira Copa
do Mundo (pois em 86 eu tinha 5 anos). Porem fui introduzido por meio dos meus
irmãos mais velhos a entrar no mundo maravilhoso do Rock n’ Roll através dos
primeiros LPs do Guns n’ Roses que eram uma febre naquela época.
Eu estava empolgado com aquela musica “suja e agressiva”
e mais maravilhado ainda com aquelas capas de “Appetite for Destruction” e
“GN’R Lies” respectivamente com sucessos e musicas grudentas como Sweet Child o
Mine, Welcome to the Jungle e Paradise City estourando nas rádios e nos
saudosos programas de Video Clip da TV aberta: Clip Trip e Kliptonita.
O que isso tem a ver com o classicaço game da Capcom?
Tudo!!!
O Game, lançado nos EUA em 1989 foi totalmente influenciado
por tudo que era visto como “rebelde e violento”, desde os filmes até na musica
que marcava os anos 80. Dizem que Final Fight foi muito influenciado pelo filme
Ruas de Fogo(84) e The Warriors(79) e quem viu estes filmes concordam com esta
afirmação. Musicalmente, o Heavy Metal (e o Glam Metal) além do Punk Rock
também injetaram sua parcela de “maldade” na maneira como a sociedade os
enxergava pela sua “atitude” durante esta década.
Com um delay de um ano, tive meu primeiro contato com esta
maquina no antigo bar do Totus, que já citei em outras histórias neste blog. A
mesma ficava no obscuro fundo do bar, perto do banheiro e dos engradados de
cerveja. Parece besteira, mas só de lembrar eu sinto o “cheiro” daquele lugar. Parece
que faz parte da ambientação das ruas de Metro City.
O game, como todo mundo conhece envolve o sequestro da filha
do prefeito Mike Haggar, que chama seus amigos Cody e Guy para resgata-la da
gangue Mad Gear. Um baita “clichê hollywoodiano” com garantia de sucesso.
Imagine um moleque que encontrava num único game uma
frenética e intensa “porradaria”, com gangues, punks, regada ao uso de armas
brancas, como barras de canos, facas e até espadas disponíveis pelo cenário?
Além de encontrar personagens com o nome real dos seus ídolos da época, como
AXEL e SLASH? Só mais tarde fui descobrir os demais influenciados por bandas
nesse game, onde descreverei mais adiante.
Os cenários do game são fantásticos: Vilarejos, becos,
fábricas e galpões abandonados, bares, cabarés, ringues, ruas, estações de trem,
dentro do trem, banheiros públicos pichados, latas de lixo, enfim, o submundo
Underground de Metro City.
Final Fight foi pra mim naquela época um marco. Eu desenhava
os cenários, eu simulava as brigas com os bonecos que eu tinha. Eu imitava a
risada do Damned nas brincadeiras. Tudo naquele jogo pra mim era perfeito. Se
havia uma coisa que não era boa neste game era o meu desempenho jogando. Uma
ficha pra mim era fatal ir até o Sodom e olhe lá. Isso porque eu tinha que
subir no barril dentro do trem e esperar o tempo passar. Se eu encarasse aquela
galera de frente já era.
Eu jogava um pouco melhor com meu irmão do meio, que este
sim era apelão e viciado. Ele manjava aquela sequencia de “dois socos pra
frente e um pra trás” e salvava o jogo direto com uma ou no máximo duas fichas.
Por gostar tanto do game às vezes eu preferia vê-lo jogar do que eu tentar a
sorte e certamente encerrar precocemente minha ficha. Porra meu, eu tinha 9
anos! Não dava pra ser viciado com esta idade...
A coisa mais rara que eu notava neste game era alguém
dispensar o Cody e principalmente jogar em dupla sem ele. Era o cara mais
equilibrado do trio.
Com o passar dos anos, com a febre dos árcades no inicio dos
anos 90 aqui na região, era muito comum encontrar um Final Fight pra jogar. Houve
claro, muitos outros “beat n’ up” como Karate Blazers, The Combatribes, Double
Dragon, mas tudo soava como cópia do Final Fight, mesmo cada um tendo
movimentos e golpes particulares.
Somente nos meados de 95, com o também muito bom “Cadillacs
and Dinossaurs” que Final Fight começou a ficar de canto, mas ainda há muitas
discussões entre qual dos dois foi o melhor.
Claro que só citei e só comparei as versões em Arcade, pois
havia as versões de 16 bits (SNES e Mega). Final Fight saiu exclusivo para
SNES, porem só com 2 jogadores. No mega também havia o excelente concorrente
Streets of Rage, que só foi ficar espetacular na segunda versão. Também entra
em discussões com fãs que preferem até o SOR’2 do Mega ao FF de Arcade. Se
continuar assim esta treta vai sair de Metro City e invadirá as rodas de
debates!
Entre os personagens marcantes deste game, temos:
Damned – o fortão rastafári que raptou Jessica e tem a
risada marcante. Pra quem não sabe The Damned é um nome de uma das pioneiras
bandas Punk da Inglaterra do ano de 77.
Poison e Roxy – as prostitutas que pulam o tempo todo e que
dão um baita trabalho quando a tela esta cheia de inimigos. Nas versões para
videogames caseiros, elas foram censuradas. Nos EUA chegaram a serem
substituídas por homens chamados de Sid e Billy, pois bater em mulher era algo
feio pra se mostrar pra molecada, e na europa ganharam bermudas ao invés de
minúsculos shorts. Existe também a informação chocante aos marmanjos de que
elas eram, na verdade “eles”. No manual do jogo citam Poison e Roxy como
“transexuais”. Ixiiii! Vale ressaltar que Poison é uma banda de Glam metal dos
anos 80 e que as versões de Sid e Billy fazem menções a Sid Vicious e Billy
Idol, dois Punks, sendo o primeiro baixista do Sex Pistols e o segundo do
Generation X.
Poison - Unskiny Bop
Sex Pistols - Holiday in the sun
Generation X - Wild Youth
Axl e Slash - os fortões de jaqueta de couro são chatos pra
cacete, pois se defendem e seus golpes tiram bastante energia. Axl e Slash são
membros principais da banda Guns n’ Roses.
Gn'R - Paradise City
Sodom – este vilão com jeitão de samurai carrega o nome de
uma das mais importantes bandas de Thrash Metal da Alemanha.
Sodom - Agent Orange
Simons – um daqueles carinhas que só fazem volume pra
gangues que você já encontra na primeira fase, homenageia o lendário Gene
Simons, vocalista do KISS apesar de não ter nenhuma característica física
semelhante com o musico.
Abigail – este personagem faz uma homenagem ao lendário
vocalista King Diamond, usando uma mascara que lembra a do musico. Abigail é o
nome de uma musica que dá nome a um disco do King Diamond lançado nos anos 80.
Andore - este
figuraça não tem ligações com nenhum personagem do meio musical, mas sim a um
lutador de luta livre francês chamado André, the Giant. O visual realmente é
muito semelhante. No game, ele é um inimigo muito forte. Três socos ou dois
agarrões já te liquidam. Sem falar no “pilão” que tira 2/3 da energia. Mais de
um deles no cenário é um problema serio.
Holywood e El gado – Dois desgraçados, malditos, apelões
armados com facas que só miram os teus rins. Às vezes te dão uma rasteira, tipo
carrinho de futebol ou pulam como um gato esfaqueando a nossa cabeça. Também
arremessam as facas. Existe a versão vermelha do hollywood que joga coquetéis
Molotov.
Holywood e El Gado
Gordos – Quando você menos espera, ouve-se um “yeah” e um
gordo vem correndo dando cabeçada feito um touro bravo. Sozinho é tranquilo. Mais de um vira problema.
J e Two P. – Punks fracotes, mas muito ligeiros. Batem e se
esquivam facilmente. O Two P. é um
personagem de outro game da Capcom Forgotten Worlds. No caso, ele é o jogador dois, ou seja “Two
Player”...sacou?
Bred, Dug e Jake – Além do Simons, são membros da Mad Gear.
Só fazem volume, mas são eles que na maioria das vezes dão o ultimato quando
você esta com pouca energia e completamente concentrado nos chefões. Quando
menos espera, surge um soco ou uma voadora vindo do nada e te mata. Morrer para
eles é humilhante!
Edie E. - Policial corrupto que te desce o porrete e se
esquiva de um lado para o outro. Pra
variar ainda atira em você. Não é muito
difícil, mas seus tiros são fatais.
Edi E
Rolento – Difícil chefe do elevador. Membro do exército que
também usa cassetete e joga granadas. Move-se muito rápido e quando esta perto
de morrer, apela descaradamente arremessando muitas granadas.
Rolento
Belger – Chefão final, que esta numa cadeira de rodas
motorizada e com um arco e fecha. Quando apanha muito, perde a cadeira, mas aí
não para de atirar flechas. Quando é derrotado, cai do prédio no melhor estilo
final de Robocop (filme).
Belger
Quadro Geral da gangue de Metro City:
Galera, desculpem a demora para escrever, mas como disse, pai de familia aspirante a blogueiro é complicado de sobrar tempo pra alguma coisa.
Espero que tenham gostado. Opinem, comentem!! Digam como conheceram e como jogaram este clássico game da Capcom!