domingo, 7 de junho de 2015

Ghosts n’ Goblins: Difícil...

Existem jogos complicados, apelativos, malditos, desgraçados, extremamente difíceis e existe Ghost n’ Goblins! Não há melhor definição para este game da Capcom lançado em 1985.

Ghosts n' Goblins - Taito 1985

Para não parecer injusto, quero deixar bem claro que este jogo é muito bom e que a meu ver, tem uma importância tremenda no gênero aventura, ainda mais abordando o terror como tema.

Para os desavisados, o jogo retrata a jornada de Arthur que tem a sua namorada Guinevere raptada por um demônio e vai à luta para resgata-la, enfrentando zumbis, monstros, abutres, morcegos, fantasmas, demônios, e além de tudo, o tema abordado: a Dificuldade.

O que será que Arthur fazia sem a armadura nessa hora?

Dificuldade, pois, além de habilidade, contar com a sorte faz muito a diferença neste jogo. Aqui não existem saltos duplos. Perdeu o tempo do salto ou calculou mal a distancia é morte certa! Os reflexos também precisam estar em dia para desviar de zumbis que surgem dos seus pés ao mesmo tempo em que um fantasma vai a sua direção e alguma magia é arremessada contra você.  Aqui um “pixel” faz uma diferença quando o assunto é se esquivar ou saltar, pois não é possível se pendurar nem corrigir a direção errada durante a sua ação. Comandar Arthur em Ghosts n’ Goblins é assumir uma responsabilidade! Não que seja assim tão fatal, pois o primeiro erro faz Arthur perder a armadura e ficar apenas de “samba-canção”, mas jogar semi nú te deixa ainda mais inseguro, ainda mais quando o próximo vacilo te faz virar uma pilha de ossos.

As 6 fases de Gn'G.


Vamos ao resgate!

Durante seu progresso, alguns itens aparecem em vasos que melhoram a tua jogabilidade. No inicio contamos com lanças, que depois são substituídas por tochas ou escudos. Às vezes, certos itens mais atrapalham do que ajudam. Se tiver oportunidade de contar com escudos, voltar a ficar com as lanças se torna bastante desvantajoso, principalmente nas ultimas fases do jogo. Até porque o escudo repele as magias que são arremessadas contra você.

Se não bastasse ser um jogo medonho, ele ainda testa a sua paciência, pois ao final das suas 6 fases, quando você consegue enfim derrotar “o capiroto” surge uma mensagem que diz que o “chifrudo” era uma “ilusão” e você é obrigado a jogar TUDO DE NOVO!!!! Sim, desde o começo! AAAARRGGGHHHH!!!!!

Puta merda!!!

Enfim, depois de passar por tudo de novo, porem com a vantagem (se podemos assim considerar) de jogar com o item escudo desde a primeira fase, pois parece ser menos maldito que da primeira vez.
Lembro-me muito bem de Ghosts n’ Goblins como a primeira maquina a sofrer “agressões” de seus jogadores. Era comum ver jogadores perderem a paciência com esta maquina e sentar a porrada no joystick e até chutar a entrada de fichas como forma de extravasar suas frustrações e revolta. Creio que aprendi alguns palavrões nesta época também...



Tentei jogá-lo algumas vezes, mas nunca cheguei ao primeiro mestre. Porem não me sentia mal por isso, pois quase ninguém conseguia chegar também. Com muito custo vi um cara chegar na quarta fase com uma única ficha. Nunca presenciei alguém chegar no final de Ghosts n’ Goblins naquela época. Creio que muita gente também não viu.

Vi recentemente um vídeo no Youtube com um cara salvando o game. Irei posta-lo aqui, pois creio que muita gente finalmente conseguirá enfim ver como esta aventura acaba.

Enfim, o final!

Eu até joguei estes dias no emulador e mesmo com um monte de continues não cheguei no final da primeira vez.  Perdi a paciência e fui jogar outra coisa. Confesso que você tem que estar num dia bem tranquilo para poder joga-lo.

E só pra deixar bem claro, existe sim um jogo mais difícil que Ghosts n’ Goblins. Ele se chama Ghouls n’ Ghosts de 1988... ou seja, sua continuação.


Não há nada tão ruim que não possa piorar...não é mesmo?

terça-feira, 26 de maio de 2015

Clássicos dos Arcades: Os verdadeiros anciões do gênero.

Clássico no dicionário tem dentre seus vários significados as denominações de “tradicional” ou “que é de estilo impecável e constitui modelo digno de imitação”. Creio que estas denominações se aplicam mais a estes games que descreverei logo mais.

Quando o assunto é vídeo game e nos referimos a clássicos, já nos vem à cabeça jogos como Street Fighter, Final Fight, Mortal Kombat, The King Of Fighters, Fatal Fury, Super Sidekicks Soccer entre outros. Porem há uma coisa em comum na maioria deles que deve ser citada: Quase todos são dos anos 90. Isso claro, não é (e nunca será) um problema. Apenas um fato.

E quanto aos games que existiam antes destes considerados “pais dos arcades”? Como sabemos, os primeiros arcades foram desenvolvidos no inicio dos anos 70 e não sabemos de fato muito a respeito deles aqui no Brasil.


Sabemos apenas que o ATARI nos ajudou bastante a descobrir a maioria dos jogos que inicialmente foram projetados para arcade e posteriormente foram convertidos (com muito menos recursos gráficos) para versões caseiras.

Muito provavelmente, eu e a maioria de vocês que estão com 30 e pouco e até os que são um pouco mais jovens com 25 anos , tenham jogado alguns destes arcades já nos anos 90 sem saber que eles eram na verdade os “avós dos videogames”.  Claro que isso se deve ao atraso do Brasil em tudo que era tipo de lançamento em qualquer tipo de coisa que era lançado lá fora. Um exemplo claro eram os LP’s que levavam em media um ano e meio para serem reproduzidos aqui após seu lançamento.

Consoles de 8bits como Master System, Nintendinho, Phanton System e Turbo Game tiveram esta missão de nos apresentar games de arcade em formato caseiro, mas como dito antes, chegaram por aqui muito tarde e muito caros. Logo entrou os anos 90 e o nosso “auge arcade” veio à tona.
Infelizmente, muito destes games estavam encostados entre os da geração anos 90 e era muito difícil pra gente deixar de jogar um Street Fighter quando você havia lutado tanto pra conseguir um trocado para comprar uma ficha. Ou vai dizer que vocês nunca notaram uma maquina de “navinha” ou um “come-come” entre os demais gabinetes espalhados dentro dos fliperamas?

Sim meus amigos... Eles estavam lá! Esperando pela sua ficha, mas você nunca quis saber de quebrar recordes e registrar a maior pontuação da maquina. Nascemos com o propósito de fechar o jogo e não com o objetivo de fazer mais pontos. O exemplo claro disso era quando perdíamos. A maioria de nós apertava freneticamente os botões de continue na hora de colocar o nome e só registrávamos AAA.
Até para não sermos injustos com eles, estes jogos considerados “os avós dos games” tinham o único propósito de “comer dinheiro” e eram difíceis pra caramba. Até pro mais “boy” dos moleques que compravam “1 barão de fichas” estes jogos se tornavam desestimulantes. Sem falar que alguns eram repetitivos.

Historicamente, em meados dos anos 80 os games começaram a ser mais caprichados e com um enredo no seu desenvolvimento, o que motivou e despertou o interesse da molecada em querer joga-los. Aqui no Brasil, nos bairros e botecos da vida, estas maquinas vieram de qualquer jeito misturando clássicos com lançamentos da época.

A maioria de nós só veio a “experimentar” estas maquinas de forma improvável. Talvez por se cansar de esperar os caras viciados nos games mais populares, nós nos aventurávamos em jogar estas maquinas e nos surpreendíamos. Eram legais e muito viciantes!

No meio deste pacote de jogos Clássicos dos arcades, irei também citar excelentes games dos anos 80, com bons gráficos, bons enredos e que alguns provavelmente até serviram de inspiração para o surgimento de outros jogos mais cultuados.
Vale lembrar a todos que estes que aqui descreverei foram jogados por mim quando eu era moleque dentre as varias casas de fliperamas e botecos do bairro que haviam por aqui. Sei que poderei não citar um ou outro game só pelo fato de não tê-lo jogado naquela época ou por puro esquecimento. E claro, como foi à experiência de jogar cada um deles e toda a atmosfera em torno de cada descoberta... Se não, não haveria graça, né?

Galaxian (1979)



Existiram milhões de cópias de jogos com esta mesma temática: nave espacial com a missão de proteger o planeta da invasão alienígena. Provavelmente, um “primo rico” de Space Invaders (primeiro jogo com esta ideia), Galaxian apareceu por aqui no bairro em 1990 num gabinete todo vermelho e com tela na vertical, que para mim era uma baita novidade. Maquina totalmente silenciosa durante a apresentação, porem extremamente barulhenta após introduzirmos uma ficha. Chamava muito a atenção de quem estava no fliperama só fazendo uma horinha. Tentei a sorte algumas vezes e até não era um mal jogador, mas você não tinha muita moral entre os moleques sendo um excelente jogador de “Galaxian”...



O jogo em si não é muito diferente dos demais com esta mesma proposta. Acho que pessoalmente, o avanço que tinha até então como comparação era o fato das naves adversarias se lançarem contra você num efeito Kamikaze, diferentemente dos games que eu jogava no Atari (o próprio Space Invaders e o Condor Attack) que só se moviam para os lados e se aproximavam gradativamente.



Pacman (1980)



Um dos jogos mais populares de todos os tempos (que completou 35 anos na ultima semana), o popular “come-come” também apareceu por nossas bandas no inicio dos anos 90. Diferentemente de alguns jogos considerados “segunda opção” do fliperama, Pacman tinha seus jogadores assíduos! Sim cara, entravam pessoas no fliperama que iam direto joga-lo, mesmo com varias outras maquinas a disposição. No Atari, o jogo era muito mais “pobre” graficamente falando, mas quebrava uma baita galho.

Eu era, e ainda sou muito ruim no Pacman. Até porque não era sempre que esta maquina (por mais incrível que isso possa parecer) estava à disposição. Pra um moleque de oito ou nove anos, Pacman não era um atrativo de nossa preferencia. O perfil dos jogadores de Pacman era de caras mais velhos.



Um fato curioso que descobri lendo um livro sobre videogames, é que Pacman não era um joguinho de “come-come” tão inocente como pensamos. Trata-se de um personagem viciado em comprimidos que via fantasmas em suas alucinações. Ou seja: Pacman é um dependente químico!

1943 (1987)



Sequencia de uma serie de games que retratavam as batalhas aéreas da 2ª guerra mundial, 1943 era a versão que aterrissou por aqui no inicio dos anos 90. Historicamente, o jogo se passa na invasão americana ao Japão pelo Oceano Pacifico.

Realmente 1943 era bastante desafiador e joga-lo em dupla facilitava um pouco mais as coisas. O desafio não chegava a ser absurdo, pois com o tempo você acaba ganhando habilidade de atirar e desviar a nave dos tiros e dos kamikazes, ainda mais quando você conseguia pegar armas e melhorar sua capacidade de tiros que iam para as laterais ou com maior poder de destruição. Havia também a possibilidade de conseguir aliados, que na verdade eram duas naves que se alinhavam uma de cada lado e te ajudam a destruir os oponentes.



Era um game procurado por aquelas duplas manjadas de caras que quando entrava no fliper a gente já sabia o que eles iriam jogar.  Eu não era um viciado, mas não me saia muito mal. Ainda mais quando jogava em dupla.



Rally-X (1980)



Se é para sentir remorso, este com certeza é o jogo certo para ser citado. Digo isso, pois só joguei Rally-X uma única vez na minha infância e hoje eu não me sinto só arrependido, mas sim culpado. Oportunidades não me faltaram, pois passei em frente desta maquina varias vezes e sempre torci o nariz, pois “julguei o livro pela capa”. Somente com os emuladores eu entendi a proposta do jogo e reparei a imensa cagada que eu fiz.

Rally-X é muito mais do que um simples jogo de “corrida”, (como eu imaginava lá com meus 8 anos de idade) e sim um grande game de perseguição com um desafio gigantesco e diversão garantida. Não é nenhum pouco enjoativo. Pelo contrario, quanto maior a dificuldade, mais ficamos vidrados no jogo.



Para quem cometeu o mesmo erro que eu de nunca tê-lo jogado, Rally-X tem como objetivo coletar todas as bandeiras do labirinto, tendo um radar para auxilio. No começo, apenas um carro te persegue, mas conforme as fases avançam, o numero de carros, a velocidade, os obstáculos aumentam. Sua única arma é despista-los com fumaça, porem com mais fumaça, seu combustível acaba.



Xevious (1982)



Com certeza um dos mais belos jogos de tiros que joguei. Diferentemente dos outros games de tiro, a nossa nave possui uma mira, pois o game se passa numa superfície terrestre (um diferencial na época em que estes jogos só se passavam no espaço sideral). Além de naves inimigas, destruímos tanques e bases terrestres, tanto fixas quanto móveis. Para isso temos dois botões de tiros, onde um destrói naves e o outro arremessa bombas nos inimigos que vem por terra (ou pelo mar).

Destaque para os chefes que são naves espaciais gigantescas, mas com a vantagem de usar a nossa mira, derrota-los se torna algo menos trabalhoso.




O ponto negativo deste game é não possuir final. Ou seja, game típico para quebrar recordes e não para ser salvo. Acho que foi por isso que ele não “vingou” muito por aqui.


domingo, 12 de abril de 2015

CABAL: a Guerra Fria no mundo dos games.

No final dos anos 80, inicio dos 90 estávamos passando por um período politico onde a antiga URSS perdia suas forças, simbolizada claramente com a queda do muro de Berlim em 1989. Era o fim do Socialismo. As Alemanhas (Ocidental e Oriental) viraram uma só e o Capitalismo reinou absoluto a partir daí. Os EUA venceram a Guerra Fria! (termo utilizado por ser uma guerra travada por relações e ameaças, mas sem confronto “direto” entre os dois países).



Para quem viveu esta época (como eu) mesmo como criança, percebia através dos filmes que o “cara do mal” era sempre um cara com alguma coisa vermelha predominante em sua roupa, símbolos (geralmente estrela vermelha ou a foice e o martelo em amarelo), camiseta, bandeiras entre outros. Este cara era geralmente loiro (russo, ou melhor, soviético) ou um japonês “moreno”, que no caso poderia ser um Vietnamita, Chinês ou Norte Coreano, países de regime socialista.  Não importava o gênero do filme, os inimigos eram sempre os mesmos.  

Como nós brasileiros éramos (e ainda somos) influenciados fortemente pela cultura americana, assistíamos muitos filmes ou seriados de guerra, como Platoon, Bradock, Bom dia Vietnam, Combate no Vietnam (serie que passava no SBT, ou melhor, TVS) Apocalipse Now e o principal: Rambo. Todos eles tendo como objetivo derrubar o Socialismo e o poderio Soviético.

Platoon - 1986

Braddock - 1984

Rambo - 1983


Se Holywood tinha seus representantes, o mundo dos games também se interessou pelo mesmo universo das explosões e tiros. Em 1988, surgiu o arcade CABAL.

CABAL - 1988


Não que Cabal tenha sido propositalmente feito com o objetivo de incitar na cabeça da molecada que Mikhail Gorbachev (lê-se Micael Gorbatchov) era seu maior inimigo, mas como todos os games da época, pegaram o gancho de fazer um game com base nos filmes cujo tema chamava a atenção e consequentemente gerava lucro (viva o Capitalismo!).

Antes de Cabal, havia o Green Baret (boina verde) que era um jogo de rolagem lateral, dificílimo, onde o inimigo era descaradamente a URSS, até porque ele era de 1985 e nesta época “os soviéticos” ainda batiam de frente. Depois surgiu o popular Comando, que saiu até para Atari, e o game Ikari Warriors da SNK (neo geo) que na verdade eram bem parecidos onde você controlava um soldado que avançava pela tela de baixo para cima e atirava para todos os lados. Não sacou? Imagine um jogo de navinha (shooter)? Agora substitua a nave por um soldado... é basicamente isso aí!

Commando - 1985

Green Beret - 1985

Ikari Warriors - 1986


O game era basicamente entrar na pele de um soldado solitário contra um exército inteiro, incluindo tanques, helicópteros e aviões, onde sua única defesa era o cenário e sua pontaria, no melhor estilo Silvester Stallone ou Chuck Norris.




Havia três botões, onde um constantemente atirava, outro arremessava granadas e o terceiro servia de esquiva (rolamento lateral). O jogo era dividido em quatro estágios até chegar ao chefe, que eram desde a caminhões tanque, Navios de guerra, Submarinos, Helicópteros entre outros.

O destaque para este jogo era a oportunidade de destruir todo o cenário. Casas, torres, aviões, arvores, ou seja, tudo podia ser destruído “na bala”, e o melhor, estes itens davam granadas e armas com poder de destruição maior.



Com o passar das fases, claro, o desafio aumenta. O numero de inimigos para destruir aumenta, os tiros aumentam de frequência e de velocidade se tornando insano! A vantagem é que ao rolar para os lados os tiros não pegam em você. O problema é ter raciocínio e coordenação motora para mirar, atirar e ainda cuidar da integridade física do seu soldado onde uma única bala é fatal! Apesar de ser basicamente a mesma coisa em todas as fases o jogo é bem legal e viciante. Mais legal ainda é a comemoração frenética do seu soldado ao passar de fase...

Aeeeee !!! 


Esta maquina apareceu aqui pelo bairro na Dragon Fliper em 1990 e era bem disputada no começo. Como era possível jogar em dupla, ela proporcionou muitas amizades por aquí. Até porque o jogo era muito cooperativo, onde muitas pessoas só conseguiam fecha-la jogando “de dois”.  Não me lembro de pessoas que fecharam este jogo na época jogando individualmente.

Eu, como qualquer criança de 9 anos, parecia um soldado amedrontado que saia atirando desesperadamente pra qualquer lado que o nariz apontava. Com certeza era uma das minhas piores atuações em games de todos os tempos.

Apesar de gostar muito deste jogo, só pude fecha-lo no emulador, até porque esta maquina deve ter durado por aqui no máximo até o inicio de 1992.
Mais legal ainda é que a primeira vez que fechei este jogo eu estava jogando com meu filho de 7 anos. Créditos infinitos é verdade, mas mesmo assim foi muito marcante...

Bom trabalho, soldado!!!


E você soldado, lembrava-se deste game?

Fala aí...

segunda-feira, 30 de março de 2015

Euro League 90 – Quase abandonei meus botões!

Empolgado com a Copa do Mundo de 1990 na Itália e com pequenos lampejos da Copa de 86, o futebol já corria em minhas veias numa intensidade muito grande naquela época mesmo com 9 anos de idade. Até porque eu sendo o caçula de três irmãos, com uma diferença de 5 e 4 anos respectivamente já vivia inserido neste ambiente futebolístico através de figurinhas das Copas, Futebol de Botão, programas esportivos da TV e revistas Placar do meu pai.

Pra vocês terem uma ideia, se eu fosse ganhar um presente naquela época que não fosse futebol de botões, que fosse uma caixa de canetinhas! Sim, isso mesmo! Eu adorava pintar bandeiras de países quando era criança, tudo por conta do futebol.

Lembro-me que meus irmãos colecionavam figurinhas do chiclete Ploc em 1986, que vinham com as figurinhas dos jogadores. Maradona e Careca eram os “Messis e Neymares” daquela época. Também tinham álbuns do Paulista de 1989, Copa União de 1987, Brasileirão de 1988 e 1989 e por aí vai. O que eu tive participação foi no álbum da Copa de 1990 que foi o 1º que completamos. Tenho-o até hoje. Judiado, mas “tá vivo”!

O meu ta mais "judiado"

Até aqui, de forma “digital” o único futebol que havia jogado era o do Atari. Aquele que o campo era visto de cima e você comandava três jogadores ao mesmo tempo. A bola era quadrada, mas até aqui algo perdoável.  Com o tempo, facilmente foi abandonado e esquecido pelo futebol de botão, onde tínhamos uma boa coleção.

Futebol de botão da minha coleção
Futebol do Atari

Minha primeira experiência com um game de futebol em formado Arcade foi mesmo em 1990, aqui no bairro já na casa que leva o nome deste Blog “Dragon Fliper”. Era o Euro League 90!
Pra quem não conhece, ele é um jogo da Tecmo, feito em 1989 com países e com nome original de World Cup 90, ou seja, totalmente feito pra Copa. Originalmente com 8 países: Argentina, Brasil, Itália, Japão, EUA, Inglaterra, Alemanha Ocidental e União Soviética. Pra quem não sabe o muro de Berlim só caiu naquele ano. Os uniformes não eram fiéis as seleções de verdade (Itália era vermelha, Inglaterra laranja e URSS era toda preta). A versão Euro League 90 com clubes foi na verdade “hackeada” por italianos. Porem fez mais sucesso que a original.

World Cup 90 original

Versão original com países

Era o maior avanço que eu já tinha visto na minha vida relacionado a um game de futebol. Sim, a bola era redonda!!! O que mais me deixou impressionado era porque ele é um game de futebol de clubes europeus, e eu com 9 anos (pasmem) já conhecia todos aqueles clubes, e sabia perfeitamente porque eles estavam naquele jogo: Os maiores jogadores do mundo naquela época estavam naqueles clubes.

Euro League 90 "hackeado"

Versão hackeada com clubes europeus

 Van Basten, Gullit, Rijkaard que eram craques holandeses do Milan, além de Baresi e Maldini zagueiros italianos. Os craques alemães Klismann e Mathaus jogavam na Internazionale, e no Napoli havia Maradona, Careca e Alemão, das seleções argentina e brasileira. Além destes clubes havia Bayern de Munique, Real Madrid, Barcelona, Atlético de Madrid e PSV. Todos com jogadores daquela Copa. Pra quem não lembra, o Romário jogava no PSV naquela época.

O game era realmente uma Liga. Você escolhe um clube e jogava contra todos. Um simples empate já era. Havia dois botões. Chute e lançamento, que sem a bola serviam de carrinho e pra mudar o jogador respectivamente. Também podíamos cabecear com o botão de chute quando a bola estava pelo alto. Dava até pra fazer gols de peixinho e bicicleta. Motivo de euforia dentro do fliperama quando conseguíamos fazer estes Gols.





Os clubes eram iguais. Não havia um melhor que o outro. Tanto faz jogar com qualquer clube que não havia esquemas e toda a frescurada que existe hoje. Graficamente era muito avançado, pois eram raríssimos os jogos de futebol que os uniformes tinham listras. Até nos 16 bits este detalhe era raro. Que eu me lembre, só o Striker de 1992 tinha este recurso. Só era ruim jogar um Bayern e PSV ou Barcelona e Internazionale, pois os uniformes se confundiam. O Milan e o Real Madrid eram os mais escolhidos além do Napoli.

Confuso,hein?

Meu desempenho era “daquele jeito”. Chegava até a 4ª partida e olhe lá. Nem com continues eternos e um balde de fichas eu nunca havia conseguido fecha-lo. Somente nos Emuladores eu consegui esta proeza depois de inserir créditos até não caber mais. Acho que levei uns 9 ou 10 continues para zerá-lo aqui em casa depois de uma fila de mais de 20 anos sem joga-lo.

 Como sempre, meu irmão do meio era o viciado. Fazia gols de tudo que é jeito. Ele era aquele cara que salvava a ficha dos outros. Se o jogo tava amarrado, faltando 15 segundos pra acabar alguém gritava: - André, ajuda aqui! Ele pegava o joystick e resolvia. Era gol de fora da área, de peixinho, bicicleta e a mais apelativa de todas: a sequencia de cabeçadas! Quem não se lembra, vou postar um vídeo aqui onde um cara fecha o jogo com uma ficha usando todos estes recursos apelativos.



Agora imagine depois de um game deste se eu queria jogar novamente os botões que tinha em casa? Cara foi difícil... Só retomei os botões porque infelizmente o arcade durou pouco tempo por aqui. Acho que em 1991 ele já não figurava entre os fliperamas da região. Uma pena...

Só pra nível de curiosidade, meu pai e meu irmão mais velho são corinthianos, meu irmão do meio (o viciado) é são paulino, e eu, sem explicação física nem espiritual sou Santista por opção e convicto! Ou seja, a minha fila pra fechar o Euro league 90 foi semelhante ao calvário que passei para ver somente o meu Santos Campeão em 2002 aos 21 anos de idade.


É CAMPEÃO! É CAMPEÃO!


Época desgraçada pra mim viu, futebolisticamente falando...anos 90 foi dureza!

E vocês, já conheciam este jogo? Onde jogaram? Falem aí!!!!

sábado, 28 de março de 2015

Final Fight – Sexo, drogas,” porrada” e Rock n’ Roll.

Em 1990, com nove anos, eu era uma criança normal em meio a várias distrações como futebol de botão, figurinhas e a minha primeira Copa do Mundo (pois em 86 eu tinha 5 anos). Porem fui introduzido por meio dos meus irmãos mais velhos a entrar no mundo maravilhoso do Rock n’ Roll através dos primeiros LPs do Guns n’ Roses que eram uma febre naquela época.




Eu estava empolgado com aquela musica “suja e agressiva” e mais maravilhado ainda com aquelas capas de “Appetite for Destruction” e “GN’R Lies” respectivamente com sucessos e musicas grudentas como Sweet Child o Mine, Welcome to the Jungle e Paradise City estourando nas rádios e nos saudosos programas de Video Clip da TV aberta: Clip Trip e Kliptonita.
O que isso tem a ver com o classicaço game da Capcom? Tudo!!!

O Game, lançado nos EUA em 1989 foi totalmente influenciado por tudo que era visto como “rebelde e violento”, desde os filmes até na musica que marcava os anos 80. Dizem que Final Fight foi muito influenciado pelo filme Ruas de Fogo(84) e The Warriors(79) e quem viu estes filmes concordam com esta afirmação. Musicalmente, o Heavy Metal (e o Glam Metal) além do Punk Rock também injetaram sua parcela de “maldade” na maneira como a sociedade os enxergava pela sua “atitude” durante esta década.




Com um delay de um ano, tive meu primeiro contato com esta maquina no antigo bar do Totus, que já citei em outras histórias neste blog. A mesma ficava no obscuro fundo do bar, perto do banheiro e dos engradados de cerveja. Parece besteira, mas só de lembrar eu sinto o “cheiro” daquele lugar. Parece que faz parte da ambientação das ruas de Metro City.




O game, como todo mundo conhece envolve o sequestro da filha do prefeito Mike Haggar, que chama seus amigos Cody e Guy para resgata-la da gangue Mad Gear. Um baita “clichê hollywoodiano” com garantia de sucesso.

Imagine um moleque que encontrava num único game uma frenética e intensa “porradaria”, com gangues, punks, regada ao uso de armas brancas, como barras de canos, facas e até espadas disponíveis pelo cenário? Além de encontrar personagens com o nome real dos seus ídolos da época, como AXEL e SLASH? Só mais tarde fui descobrir os demais influenciados por bandas nesse game, onde descreverei mais adiante.

Os cenários do game são fantásticos: Vilarejos, becos, fábricas e galpões abandonados, bares, cabarés, ringues, ruas, estações de trem, dentro do trem, banheiros públicos pichados, latas de lixo, enfim, o submundo Underground de Metro City.



Final Fight foi pra mim naquela época um marco. Eu desenhava os cenários, eu simulava as brigas com os bonecos que eu tinha. Eu imitava a risada do Damned nas brincadeiras. Tudo naquele jogo pra mim era perfeito. Se havia uma coisa que não era boa neste game era o meu desempenho jogando. Uma ficha pra mim era fatal ir até o Sodom e olhe lá. Isso porque eu tinha que subir no barril dentro do trem e esperar o tempo passar. Se eu encarasse aquela galera de frente já era. 



Eu jogava um pouco melhor com meu irmão do meio, que este sim era apelão e viciado. Ele manjava aquela sequencia de “dois socos pra frente e um pra trás” e salvava o jogo direto com uma ou no máximo duas fichas. Por gostar tanto do game às vezes eu preferia vê-lo jogar do que eu tentar a sorte e certamente encerrar precocemente minha ficha. Porra meu, eu tinha 9 anos! Não dava pra ser viciado com esta idade...

A coisa mais rara que eu notava neste game era alguém dispensar o Cody e principalmente jogar em dupla sem ele. Era o cara mais equilibrado do trio.

Com o passar dos anos, com a febre dos árcades no inicio dos anos 90 aqui na região, era muito comum encontrar um Final Fight pra jogar. Houve claro, muitos outros “beat n’ up” como Karate Blazers, The Combatribes, Double Dragon, mas tudo soava como cópia do Final Fight, mesmo cada um tendo movimentos e golpes particulares.

Somente nos meados de 95, com o também muito bom “Cadillacs and Dinossaurs” que Final Fight começou a ficar de canto, mas ainda há muitas discussões entre qual dos dois foi o melhor.
Claro que só citei e só comparei as versões em Arcade, pois havia as versões de 16 bits (SNES e Mega). Final Fight saiu exclusivo para SNES, porem só com 2 jogadores. No mega também havia o excelente concorrente Streets of Rage, que só foi ficar espetacular na segunda versão. Também entra em discussões com fãs que preferem até o SOR’2 do Mega ao FF de Arcade. Se continuar assim esta treta vai sair de Metro City e invadirá as rodas de debates!




Entre os personagens marcantes deste game, temos:

Damned – o fortão rastafári que raptou Jessica e tem a risada marcante. Pra quem não sabe The Damned é um nome de uma das pioneiras bandas Punk da Inglaterra do ano de 77.






Poison e Roxy – as prostitutas que pulam o tempo todo e que dão um baita trabalho quando a tela esta cheia de inimigos. Nas versões para videogames caseiros, elas foram censuradas. Nos EUA chegaram a serem substituídas por homens chamados de Sid e Billy, pois bater em mulher era algo feio pra se mostrar pra molecada, e na europa ganharam bermudas ao invés de minúsculos shorts. Existe também a informação chocante aos marmanjos de que elas eram, na verdade “eles”. No manual do jogo citam Poison e Roxy como “transexuais”. Ixiiii! Vale ressaltar que Poison é uma banda de Glam metal dos anos 80 e que as versões de Sid e Billy fazem menções a Sid Vicious e Billy Idol, dois Punks, sendo o primeiro baixista do Sex Pistols e o segundo do Generation X.



Poison - Unskiny Bop

Sex Pistols - Holiday in the sun

Generation X - Wild Youth


Axl e Slash - os fortões de jaqueta de couro são chatos pra cacete, pois se defendem e seus golpes tiram bastante energia. Axl e Slash são membros principais da banda Guns n’ Roses.

Gn'R - Paradise City


Sodom – este vilão com jeitão de samurai carrega o nome de uma das mais importantes bandas de Thrash Metal da Alemanha.

Sodom - Agent Orange


Simons – um daqueles carinhas que só fazem volume pra gangues que você já encontra na primeira fase, homenageia o lendário Gene Simons, vocalista do KISS apesar de não ter nenhuma característica física semelhante com o musico.

Abigail – este personagem faz uma homenagem ao lendário vocalista King Diamond, usando uma mascara que lembra a do musico. Abigail é o nome de uma musica que dá nome a um disco do King Diamond lançado nos anos 80.





Andore -  este figuraça não tem ligações com nenhum personagem do meio musical, mas sim a um lutador de luta livre francês chamado André, the Giant. O visual realmente é muito semelhante. No game, ele é um inimigo muito forte. Três socos ou dois agarrões já te liquidam. Sem falar no “pilão” que tira 2/3 da energia. Mais de um deles no cenário é um problema serio.





Holywood e El gado – Dois desgraçados, malditos, apelões armados com facas que só miram os teus rins. Às vezes te dão uma rasteira, tipo carrinho de futebol ou pulam como um gato esfaqueando a nossa cabeça. Também arremessam as facas. Existe a versão vermelha do hollywood que joga coquetéis Molotov.

Holywood e El Gado


Gordos – Quando você menos espera, ouve-se um “yeah” e um gordo vem correndo dando cabeçada feito um touro bravo.  Sozinho é tranquilo. Mais de um vira problema.



J e Two P. – Punks fracotes, mas muito ligeiros. Batem e se esquivam facilmente.  O Two P. é um personagem de outro game da Capcom Forgotten Worlds.  No caso, ele é o jogador dois, ou seja “Two Player”...sacou?

Bred, Dug e Jake – Além do Simons, são membros da Mad Gear. Só fazem volume, mas são eles que na maioria das vezes dão o ultimato quando você esta com pouca energia e completamente concentrado nos chefões. Quando menos espera, surge um soco ou uma voadora vindo do nada e te mata. Morrer para eles é humilhante!

Edie E. - Policial corrupto que te desce o porrete e se esquiva de um lado para o outro.  Pra variar ainda atira em você.  Não é muito difícil, mas seus tiros são fatais.

Edi E

Rolento – Difícil chefe do elevador. Membro do exército que também usa cassetete e joga granadas. Move-se muito rápido e quando esta perto de morrer, apela descaradamente arremessando muitas granadas.

Rolento


Belger – Chefão final, que esta numa cadeira de rodas motorizada e com um arco e fecha. Quando apanha muito, perde a cadeira, mas aí não para de atirar flechas. Quando é derrotado, cai do prédio no melhor estilo final de Robocop (filme).

Belger

Quadro Geral da gangue de Metro City:



Galera, desculpem a demora para escrever, mas como disse, pai de familia aspirante a blogueiro é complicado de sobrar tempo pra alguma coisa.

Espero que tenham gostado. Opinem, comentem!! Digam como conheceram e como jogaram este clássico game da Capcom!