Em 1990, com nove anos, eu era uma criança normal em meio
a várias distrações como futebol de botão, figurinhas e a minha primeira Copa
do Mundo (pois em 86 eu tinha 5 anos). Porem fui introduzido por meio dos meus
irmãos mais velhos a entrar no mundo maravilhoso do Rock n’ Roll através dos
primeiros LPs do Guns n’ Roses que eram uma febre naquela época.
Eu estava empolgado com aquela musica “suja e agressiva”
e mais maravilhado ainda com aquelas capas de “Appetite for Destruction” e
“GN’R Lies” respectivamente com sucessos e musicas grudentas como Sweet Child o
Mine, Welcome to the Jungle e Paradise City estourando nas rádios e nos
saudosos programas de Video Clip da TV aberta: Clip Trip e Kliptonita.
O que isso tem a ver com o classicaço game da Capcom?
Tudo!!!
O Game, lançado nos EUA em 1989 foi totalmente influenciado
por tudo que era visto como “rebelde e violento”, desde os filmes até na musica
que marcava os anos 80. Dizem que Final Fight foi muito influenciado pelo filme
Ruas de Fogo(84) e The Warriors(79) e quem viu estes filmes concordam com esta
afirmação. Musicalmente, o Heavy Metal (e o Glam Metal) além do Punk Rock
também injetaram sua parcela de “maldade” na maneira como a sociedade os
enxergava pela sua “atitude” durante esta década.
Com um delay de um ano, tive meu primeiro contato com esta
maquina no antigo bar do Totus, que já citei em outras histórias neste blog. A
mesma ficava no obscuro fundo do bar, perto do banheiro e dos engradados de
cerveja. Parece besteira, mas só de lembrar eu sinto o “cheiro” daquele lugar. Parece
que faz parte da ambientação das ruas de Metro City.
O game, como todo mundo conhece envolve o sequestro da filha
do prefeito Mike Haggar, que chama seus amigos Cody e Guy para resgata-la da
gangue Mad Gear. Um baita “clichê hollywoodiano” com garantia de sucesso.
Imagine um moleque que encontrava num único game uma
frenética e intensa “porradaria”, com gangues, punks, regada ao uso de armas
brancas, como barras de canos, facas e até espadas disponíveis pelo cenário?
Além de encontrar personagens com o nome real dos seus ídolos da época, como
AXEL e SLASH? Só mais tarde fui descobrir os demais influenciados por bandas
nesse game, onde descreverei mais adiante.
Os cenários do game são fantásticos: Vilarejos, becos,
fábricas e galpões abandonados, bares, cabarés, ringues, ruas, estações de trem,
dentro do trem, banheiros públicos pichados, latas de lixo, enfim, o submundo
Underground de Metro City.
Final Fight foi pra mim naquela época um marco. Eu desenhava
os cenários, eu simulava as brigas com os bonecos que eu tinha. Eu imitava a
risada do Damned nas brincadeiras. Tudo naquele jogo pra mim era perfeito. Se
havia uma coisa que não era boa neste game era o meu desempenho jogando. Uma
ficha pra mim era fatal ir até o Sodom e olhe lá. Isso porque eu tinha que
subir no barril dentro do trem e esperar o tempo passar. Se eu encarasse aquela
galera de frente já era.
Eu jogava um pouco melhor com meu irmão do meio, que este
sim era apelão e viciado. Ele manjava aquela sequencia de “dois socos pra
frente e um pra trás” e salvava o jogo direto com uma ou no máximo duas fichas.
Por gostar tanto do game às vezes eu preferia vê-lo jogar do que eu tentar a
sorte e certamente encerrar precocemente minha ficha. Porra meu, eu tinha 9
anos! Não dava pra ser viciado com esta idade...
A coisa mais rara que eu notava neste game era alguém
dispensar o Cody e principalmente jogar em dupla sem ele. Era o cara mais
equilibrado do trio.
Com o passar dos anos, com a febre dos árcades no inicio dos
anos 90 aqui na região, era muito comum encontrar um Final Fight pra jogar. Houve
claro, muitos outros “beat n’ up” como Karate Blazers, The Combatribes, Double
Dragon, mas tudo soava como cópia do Final Fight, mesmo cada um tendo
movimentos e golpes particulares.
Somente nos meados de 95, com o também muito bom “Cadillacs
and Dinossaurs” que Final Fight começou a ficar de canto, mas ainda há muitas
discussões entre qual dos dois foi o melhor.
Claro que só citei e só comparei as versões em Arcade, pois
havia as versões de 16 bits (SNES e Mega). Final Fight saiu exclusivo para
SNES, porem só com 2 jogadores. No mega também havia o excelente concorrente
Streets of Rage, que só foi ficar espetacular na segunda versão. Também entra
em discussões com fãs que preferem até o SOR’2 do Mega ao FF de Arcade. Se
continuar assim esta treta vai sair de Metro City e invadirá as rodas de
debates!
Entre os personagens marcantes deste game, temos:
Damned – o fortão rastafári que raptou Jessica e tem a
risada marcante. Pra quem não sabe The Damned é um nome de uma das pioneiras
bandas Punk da Inglaterra do ano de 77.
Poison e Roxy – as prostitutas que pulam o tempo todo e que
dão um baita trabalho quando a tela esta cheia de inimigos. Nas versões para
videogames caseiros, elas foram censuradas. Nos EUA chegaram a serem
substituídas por homens chamados de Sid e Billy, pois bater em mulher era algo
feio pra se mostrar pra molecada, e na europa ganharam bermudas ao invés de
minúsculos shorts. Existe também a informação chocante aos marmanjos de que
elas eram, na verdade “eles”. No manual do jogo citam Poison e Roxy como
“transexuais”. Ixiiii! Vale ressaltar que Poison é uma banda de Glam metal dos
anos 80 e que as versões de Sid e Billy fazem menções a Sid Vicious e Billy
Idol, dois Punks, sendo o primeiro baixista do Sex Pistols e o segundo do
Generation X.
Poison - Unskiny Bop
Sex Pistols - Holiday in the sun
Generation X - Wild Youth
Axl e Slash - os fortões de jaqueta de couro são chatos pra
cacete, pois se defendem e seus golpes tiram bastante energia. Axl e Slash são
membros principais da banda Guns n’ Roses.
Gn'R - Paradise City
Sodom – este vilão com jeitão de samurai carrega o nome de
uma das mais importantes bandas de Thrash Metal da Alemanha.
Sodom - Agent Orange
Simons – um daqueles carinhas que só fazem volume pra
gangues que você já encontra na primeira fase, homenageia o lendário Gene
Simons, vocalista do KISS apesar de não ter nenhuma característica física
semelhante com o musico.
Abigail – este personagem faz uma homenagem ao lendário
vocalista King Diamond, usando uma mascara que lembra a do musico. Abigail é o
nome de uma musica que dá nome a um disco do King Diamond lançado nos anos 80.
Andore - este
figuraça não tem ligações com nenhum personagem do meio musical, mas sim a um
lutador de luta livre francês chamado André, the Giant. O visual realmente é
muito semelhante. No game, ele é um inimigo muito forte. Três socos ou dois
agarrões já te liquidam. Sem falar no “pilão” que tira 2/3 da energia. Mais de
um deles no cenário é um problema serio.
Holywood e El gado – Dois desgraçados, malditos, apelões
armados com facas que só miram os teus rins. Às vezes te dão uma rasteira, tipo
carrinho de futebol ou pulam como um gato esfaqueando a nossa cabeça. Também
arremessam as facas. Existe a versão vermelha do hollywood que joga coquetéis
Molotov.
Holywood e El Gado
Gordos – Quando você menos espera, ouve-se um “yeah” e um
gordo vem correndo dando cabeçada feito um touro bravo. Sozinho é tranquilo. Mais de um vira problema.
J e Two P. – Punks fracotes, mas muito ligeiros. Batem e se
esquivam facilmente. O Two P. é um
personagem de outro game da Capcom Forgotten Worlds. No caso, ele é o jogador dois, ou seja “Two
Player”...sacou?
Bred, Dug e Jake – Além do Simons, são membros da Mad Gear.
Só fazem volume, mas são eles que na maioria das vezes dão o ultimato quando
você esta com pouca energia e completamente concentrado nos chefões. Quando
menos espera, surge um soco ou uma voadora vindo do nada e te mata. Morrer para
eles é humilhante!
Edie E. - Policial corrupto que te desce o porrete e se
esquiva de um lado para o outro. Pra
variar ainda atira em você. Não é muito
difícil, mas seus tiros são fatais.
Edi E
Rolento – Difícil chefe do elevador. Membro do exército que
também usa cassetete e joga granadas. Move-se muito rápido e quando esta perto
de morrer, apela descaradamente arremessando muitas granadas.
Rolento
Belger – Chefão final, que esta numa cadeira de rodas
motorizada e com um arco e fecha. Quando apanha muito, perde a cadeira, mas aí
não para de atirar flechas. Quando é derrotado, cai do prédio no melhor estilo
final de Robocop (filme).
Belger
Quadro Geral da gangue de Metro City:
Galera, desculpem a demora para escrever, mas como disse, pai de familia aspirante a blogueiro é complicado de sobrar tempo pra alguma coisa.
Espero que tenham gostado. Opinem, comentem!! Digam como conheceram e como jogaram este clássico game da Capcom!