segunda-feira, 30 de março de 2015

Euro League 90 – Quase abandonei meus botões!

Empolgado com a Copa do Mundo de 1990 na Itália e com pequenos lampejos da Copa de 86, o futebol já corria em minhas veias numa intensidade muito grande naquela época mesmo com 9 anos de idade. Até porque eu sendo o caçula de três irmãos, com uma diferença de 5 e 4 anos respectivamente já vivia inserido neste ambiente futebolístico através de figurinhas das Copas, Futebol de Botão, programas esportivos da TV e revistas Placar do meu pai.

Pra vocês terem uma ideia, se eu fosse ganhar um presente naquela época que não fosse futebol de botões, que fosse uma caixa de canetinhas! Sim, isso mesmo! Eu adorava pintar bandeiras de países quando era criança, tudo por conta do futebol.

Lembro-me que meus irmãos colecionavam figurinhas do chiclete Ploc em 1986, que vinham com as figurinhas dos jogadores. Maradona e Careca eram os “Messis e Neymares” daquela época. Também tinham álbuns do Paulista de 1989, Copa União de 1987, Brasileirão de 1988 e 1989 e por aí vai. O que eu tive participação foi no álbum da Copa de 1990 que foi o 1º que completamos. Tenho-o até hoje. Judiado, mas “tá vivo”!

O meu ta mais "judiado"

Até aqui, de forma “digital” o único futebol que havia jogado era o do Atari. Aquele que o campo era visto de cima e você comandava três jogadores ao mesmo tempo. A bola era quadrada, mas até aqui algo perdoável.  Com o tempo, facilmente foi abandonado e esquecido pelo futebol de botão, onde tínhamos uma boa coleção.

Futebol de botão da minha coleção
Futebol do Atari

Minha primeira experiência com um game de futebol em formado Arcade foi mesmo em 1990, aqui no bairro já na casa que leva o nome deste Blog “Dragon Fliper”. Era o Euro League 90!
Pra quem não conhece, ele é um jogo da Tecmo, feito em 1989 com países e com nome original de World Cup 90, ou seja, totalmente feito pra Copa. Originalmente com 8 países: Argentina, Brasil, Itália, Japão, EUA, Inglaterra, Alemanha Ocidental e União Soviética. Pra quem não sabe o muro de Berlim só caiu naquele ano. Os uniformes não eram fiéis as seleções de verdade (Itália era vermelha, Inglaterra laranja e URSS era toda preta). A versão Euro League 90 com clubes foi na verdade “hackeada” por italianos. Porem fez mais sucesso que a original.

World Cup 90 original

Versão original com países

Era o maior avanço que eu já tinha visto na minha vida relacionado a um game de futebol. Sim, a bola era redonda!!! O que mais me deixou impressionado era porque ele é um game de futebol de clubes europeus, e eu com 9 anos (pasmem) já conhecia todos aqueles clubes, e sabia perfeitamente porque eles estavam naquele jogo: Os maiores jogadores do mundo naquela época estavam naqueles clubes.

Euro League 90 "hackeado"

Versão hackeada com clubes europeus

 Van Basten, Gullit, Rijkaard que eram craques holandeses do Milan, além de Baresi e Maldini zagueiros italianos. Os craques alemães Klismann e Mathaus jogavam na Internazionale, e no Napoli havia Maradona, Careca e Alemão, das seleções argentina e brasileira. Além destes clubes havia Bayern de Munique, Real Madrid, Barcelona, Atlético de Madrid e PSV. Todos com jogadores daquela Copa. Pra quem não lembra, o Romário jogava no PSV naquela época.

O game era realmente uma Liga. Você escolhe um clube e jogava contra todos. Um simples empate já era. Havia dois botões. Chute e lançamento, que sem a bola serviam de carrinho e pra mudar o jogador respectivamente. Também podíamos cabecear com o botão de chute quando a bola estava pelo alto. Dava até pra fazer gols de peixinho e bicicleta. Motivo de euforia dentro do fliperama quando conseguíamos fazer estes Gols.





Os clubes eram iguais. Não havia um melhor que o outro. Tanto faz jogar com qualquer clube que não havia esquemas e toda a frescurada que existe hoje. Graficamente era muito avançado, pois eram raríssimos os jogos de futebol que os uniformes tinham listras. Até nos 16 bits este detalhe era raro. Que eu me lembre, só o Striker de 1992 tinha este recurso. Só era ruim jogar um Bayern e PSV ou Barcelona e Internazionale, pois os uniformes se confundiam. O Milan e o Real Madrid eram os mais escolhidos além do Napoli.

Confuso,hein?

Meu desempenho era “daquele jeito”. Chegava até a 4ª partida e olhe lá. Nem com continues eternos e um balde de fichas eu nunca havia conseguido fecha-lo. Somente nos Emuladores eu consegui esta proeza depois de inserir créditos até não caber mais. Acho que levei uns 9 ou 10 continues para zerá-lo aqui em casa depois de uma fila de mais de 20 anos sem joga-lo.

 Como sempre, meu irmão do meio era o viciado. Fazia gols de tudo que é jeito. Ele era aquele cara que salvava a ficha dos outros. Se o jogo tava amarrado, faltando 15 segundos pra acabar alguém gritava: - André, ajuda aqui! Ele pegava o joystick e resolvia. Era gol de fora da área, de peixinho, bicicleta e a mais apelativa de todas: a sequencia de cabeçadas! Quem não se lembra, vou postar um vídeo aqui onde um cara fecha o jogo com uma ficha usando todos estes recursos apelativos.



Agora imagine depois de um game deste se eu queria jogar novamente os botões que tinha em casa? Cara foi difícil... Só retomei os botões porque infelizmente o arcade durou pouco tempo por aqui. Acho que em 1991 ele já não figurava entre os fliperamas da região. Uma pena...

Só pra nível de curiosidade, meu pai e meu irmão mais velho são corinthianos, meu irmão do meio (o viciado) é são paulino, e eu, sem explicação física nem espiritual sou Santista por opção e convicto! Ou seja, a minha fila pra fechar o Euro league 90 foi semelhante ao calvário que passei para ver somente o meu Santos Campeão em 2002 aos 21 anos de idade.


É CAMPEÃO! É CAMPEÃO!


Época desgraçada pra mim viu, futebolisticamente falando...anos 90 foi dureza!

E vocês, já conheciam este jogo? Onde jogaram? Falem aí!!!!

sábado, 28 de março de 2015

Final Fight – Sexo, drogas,” porrada” e Rock n’ Roll.

Em 1990, com nove anos, eu era uma criança normal em meio a várias distrações como futebol de botão, figurinhas e a minha primeira Copa do Mundo (pois em 86 eu tinha 5 anos). Porem fui introduzido por meio dos meus irmãos mais velhos a entrar no mundo maravilhoso do Rock n’ Roll através dos primeiros LPs do Guns n’ Roses que eram uma febre naquela época.




Eu estava empolgado com aquela musica “suja e agressiva” e mais maravilhado ainda com aquelas capas de “Appetite for Destruction” e “GN’R Lies” respectivamente com sucessos e musicas grudentas como Sweet Child o Mine, Welcome to the Jungle e Paradise City estourando nas rádios e nos saudosos programas de Video Clip da TV aberta: Clip Trip e Kliptonita.
O que isso tem a ver com o classicaço game da Capcom? Tudo!!!

O Game, lançado nos EUA em 1989 foi totalmente influenciado por tudo que era visto como “rebelde e violento”, desde os filmes até na musica que marcava os anos 80. Dizem que Final Fight foi muito influenciado pelo filme Ruas de Fogo(84) e The Warriors(79) e quem viu estes filmes concordam com esta afirmação. Musicalmente, o Heavy Metal (e o Glam Metal) além do Punk Rock também injetaram sua parcela de “maldade” na maneira como a sociedade os enxergava pela sua “atitude” durante esta década.




Com um delay de um ano, tive meu primeiro contato com esta maquina no antigo bar do Totus, que já citei em outras histórias neste blog. A mesma ficava no obscuro fundo do bar, perto do banheiro e dos engradados de cerveja. Parece besteira, mas só de lembrar eu sinto o “cheiro” daquele lugar. Parece que faz parte da ambientação das ruas de Metro City.




O game, como todo mundo conhece envolve o sequestro da filha do prefeito Mike Haggar, que chama seus amigos Cody e Guy para resgata-la da gangue Mad Gear. Um baita “clichê hollywoodiano” com garantia de sucesso.

Imagine um moleque que encontrava num único game uma frenética e intensa “porradaria”, com gangues, punks, regada ao uso de armas brancas, como barras de canos, facas e até espadas disponíveis pelo cenário? Além de encontrar personagens com o nome real dos seus ídolos da época, como AXEL e SLASH? Só mais tarde fui descobrir os demais influenciados por bandas nesse game, onde descreverei mais adiante.

Os cenários do game são fantásticos: Vilarejos, becos, fábricas e galpões abandonados, bares, cabarés, ringues, ruas, estações de trem, dentro do trem, banheiros públicos pichados, latas de lixo, enfim, o submundo Underground de Metro City.



Final Fight foi pra mim naquela época um marco. Eu desenhava os cenários, eu simulava as brigas com os bonecos que eu tinha. Eu imitava a risada do Damned nas brincadeiras. Tudo naquele jogo pra mim era perfeito. Se havia uma coisa que não era boa neste game era o meu desempenho jogando. Uma ficha pra mim era fatal ir até o Sodom e olhe lá. Isso porque eu tinha que subir no barril dentro do trem e esperar o tempo passar. Se eu encarasse aquela galera de frente já era. 



Eu jogava um pouco melhor com meu irmão do meio, que este sim era apelão e viciado. Ele manjava aquela sequencia de “dois socos pra frente e um pra trás” e salvava o jogo direto com uma ou no máximo duas fichas. Por gostar tanto do game às vezes eu preferia vê-lo jogar do que eu tentar a sorte e certamente encerrar precocemente minha ficha. Porra meu, eu tinha 9 anos! Não dava pra ser viciado com esta idade...

A coisa mais rara que eu notava neste game era alguém dispensar o Cody e principalmente jogar em dupla sem ele. Era o cara mais equilibrado do trio.

Com o passar dos anos, com a febre dos árcades no inicio dos anos 90 aqui na região, era muito comum encontrar um Final Fight pra jogar. Houve claro, muitos outros “beat n’ up” como Karate Blazers, The Combatribes, Double Dragon, mas tudo soava como cópia do Final Fight, mesmo cada um tendo movimentos e golpes particulares.

Somente nos meados de 95, com o também muito bom “Cadillacs and Dinossaurs” que Final Fight começou a ficar de canto, mas ainda há muitas discussões entre qual dos dois foi o melhor.
Claro que só citei e só comparei as versões em Arcade, pois havia as versões de 16 bits (SNES e Mega). Final Fight saiu exclusivo para SNES, porem só com 2 jogadores. No mega também havia o excelente concorrente Streets of Rage, que só foi ficar espetacular na segunda versão. Também entra em discussões com fãs que preferem até o SOR’2 do Mega ao FF de Arcade. Se continuar assim esta treta vai sair de Metro City e invadirá as rodas de debates!




Entre os personagens marcantes deste game, temos:

Damned – o fortão rastafári que raptou Jessica e tem a risada marcante. Pra quem não sabe The Damned é um nome de uma das pioneiras bandas Punk da Inglaterra do ano de 77.






Poison e Roxy – as prostitutas que pulam o tempo todo e que dão um baita trabalho quando a tela esta cheia de inimigos. Nas versões para videogames caseiros, elas foram censuradas. Nos EUA chegaram a serem substituídas por homens chamados de Sid e Billy, pois bater em mulher era algo feio pra se mostrar pra molecada, e na europa ganharam bermudas ao invés de minúsculos shorts. Existe também a informação chocante aos marmanjos de que elas eram, na verdade “eles”. No manual do jogo citam Poison e Roxy como “transexuais”. Ixiiii! Vale ressaltar que Poison é uma banda de Glam metal dos anos 80 e que as versões de Sid e Billy fazem menções a Sid Vicious e Billy Idol, dois Punks, sendo o primeiro baixista do Sex Pistols e o segundo do Generation X.



Poison - Unskiny Bop

Sex Pistols - Holiday in the sun

Generation X - Wild Youth


Axl e Slash - os fortões de jaqueta de couro são chatos pra cacete, pois se defendem e seus golpes tiram bastante energia. Axl e Slash são membros principais da banda Guns n’ Roses.

Gn'R - Paradise City


Sodom – este vilão com jeitão de samurai carrega o nome de uma das mais importantes bandas de Thrash Metal da Alemanha.

Sodom - Agent Orange


Simons – um daqueles carinhas que só fazem volume pra gangues que você já encontra na primeira fase, homenageia o lendário Gene Simons, vocalista do KISS apesar de não ter nenhuma característica física semelhante com o musico.

Abigail – este personagem faz uma homenagem ao lendário vocalista King Diamond, usando uma mascara que lembra a do musico. Abigail é o nome de uma musica que dá nome a um disco do King Diamond lançado nos anos 80.





Andore -  este figuraça não tem ligações com nenhum personagem do meio musical, mas sim a um lutador de luta livre francês chamado André, the Giant. O visual realmente é muito semelhante. No game, ele é um inimigo muito forte. Três socos ou dois agarrões já te liquidam. Sem falar no “pilão” que tira 2/3 da energia. Mais de um deles no cenário é um problema serio.





Holywood e El gado – Dois desgraçados, malditos, apelões armados com facas que só miram os teus rins. Às vezes te dão uma rasteira, tipo carrinho de futebol ou pulam como um gato esfaqueando a nossa cabeça. Também arremessam as facas. Existe a versão vermelha do hollywood que joga coquetéis Molotov.

Holywood e El Gado


Gordos – Quando você menos espera, ouve-se um “yeah” e um gordo vem correndo dando cabeçada feito um touro bravo.  Sozinho é tranquilo. Mais de um vira problema.



J e Two P. – Punks fracotes, mas muito ligeiros. Batem e se esquivam facilmente.  O Two P. é um personagem de outro game da Capcom Forgotten Worlds.  No caso, ele é o jogador dois, ou seja “Two Player”...sacou?

Bred, Dug e Jake – Além do Simons, são membros da Mad Gear. Só fazem volume, mas são eles que na maioria das vezes dão o ultimato quando você esta com pouca energia e completamente concentrado nos chefões. Quando menos espera, surge um soco ou uma voadora vindo do nada e te mata. Morrer para eles é humilhante!

Edie E. - Policial corrupto que te desce o porrete e se esquiva de um lado para o outro.  Pra variar ainda atira em você.  Não é muito difícil, mas seus tiros são fatais.

Edi E

Rolento – Difícil chefe do elevador. Membro do exército que também usa cassetete e joga granadas. Move-se muito rápido e quando esta perto de morrer, apela descaradamente arremessando muitas granadas.

Rolento


Belger – Chefão final, que esta numa cadeira de rodas motorizada e com um arco e fecha. Quando apanha muito, perde a cadeira, mas aí não para de atirar flechas. Quando é derrotado, cai do prédio no melhor estilo final de Robocop (filme).

Belger

Quadro Geral da gangue de Metro City:



Galera, desculpem a demora para escrever, mas como disse, pai de familia aspirante a blogueiro é complicado de sobrar tempo pra alguma coisa.

Espero que tenham gostado. Opinem, comentem!! Digam como conheceram e como jogaram este clássico game da Capcom!