No final dos anos 80, inicio dos 90 estávamos passando por
um período politico onde a antiga URSS perdia suas forças, simbolizada
claramente com a queda do muro de Berlim em 1989. Era o fim do Socialismo. As Alemanhas
(Ocidental e Oriental) viraram uma só e o Capitalismo reinou absoluto a partir
daí. Os EUA venceram a Guerra Fria! (termo utilizado por ser uma guerra travada
por relações e ameaças, mas sem confronto “direto” entre os dois países).
Para quem viveu esta época (como eu) mesmo como criança,
percebia através dos filmes que o “cara do mal” era sempre um cara com alguma
coisa vermelha predominante em sua roupa, símbolos (geralmente estrela vermelha
ou a foice e o martelo em amarelo), camiseta, bandeiras entre outros. Este cara
era geralmente loiro (russo, ou melhor, soviético) ou um japonês “moreno”, que
no caso poderia ser um Vietnamita, Chinês ou Norte Coreano, países de regime
socialista. Não importava o gênero do
filme, os inimigos eram sempre os mesmos.
Como nós brasileiros éramos (e ainda somos) influenciados
fortemente pela cultura americana, assistíamos muitos filmes ou seriados de
guerra, como Platoon, Bradock, Bom dia Vietnam, Combate no Vietnam (serie que
passava no SBT, ou melhor, TVS) Apocalipse Now e o principal: Rambo. Todos eles
tendo como objetivo derrubar o Socialismo e o poderio Soviético.
Platoon - 1986
Braddock - 1984
Rambo - 1983
Se Holywood tinha seus representantes, o mundo dos games
também se interessou pelo mesmo universo das explosões e tiros. Em 1988, surgiu
o arcade CABAL.
CABAL - 1988
Não que Cabal tenha sido propositalmente feito com o
objetivo de incitar na cabeça da molecada que Mikhail Gorbachev (lê-se Micael
Gorbatchov) era seu maior inimigo, mas como todos os games da época, pegaram o
gancho de fazer um game com base nos filmes cujo tema chamava a atenção e
consequentemente gerava lucro (viva o Capitalismo!).
Antes de Cabal, havia o Green Baret (boina verde) que era um
jogo de rolagem lateral, dificílimo, onde o inimigo era descaradamente a URSS,
até porque ele era de 1985 e nesta época “os soviéticos” ainda batiam de
frente. Depois surgiu o popular Comando, que saiu até para Atari, e o game
Ikari Warriors da SNK (neo geo) que na verdade eram bem parecidos onde você
controlava um soldado que avançava pela tela de baixo para cima e atirava para
todos os lados. Não sacou? Imagine um jogo de navinha (shooter)? Agora
substitua a nave por um soldado... é basicamente isso aí!
Commando - 1985
Green Beret - 1985
Ikari Warriors - 1986
O game era basicamente entrar na pele de um soldado
solitário contra um exército inteiro, incluindo tanques, helicópteros e aviões,
onde sua única defesa era o cenário e sua pontaria, no melhor estilo Silvester
Stallone ou Chuck Norris.
Havia três botões, onde um constantemente atirava, outro
arremessava granadas e o terceiro servia de esquiva (rolamento lateral). O jogo era dividido em quatro estágios até chegar ao chefe,
que eram desde a caminhões tanque, Navios de guerra, Submarinos, Helicópteros entre
outros.
O destaque para este jogo era a oportunidade de destruir
todo o cenário. Casas, torres, aviões, arvores, ou seja, tudo podia ser
destruído “na bala”, e o melhor, estes itens davam granadas e armas com poder
de destruição maior.
Com o passar das fases, claro, o desafio aumenta. O numero
de inimigos para destruir aumenta, os tiros aumentam de frequência e de
velocidade se tornando insano! A vantagem é que ao rolar para os lados os tiros
não pegam em você. O problema é ter raciocínio e coordenação motora para mirar,
atirar e ainda cuidar da integridade física do seu soldado onde uma única bala
é fatal! Apesar de ser basicamente a mesma coisa em todas as fases o jogo é bem
legal e viciante. Mais legal ainda é a comemoração frenética do seu soldado ao
passar de fase...
Aeeeee !!!
Esta maquina apareceu aqui pelo bairro na Dragon Fliper em
1990 e era bem disputada no começo. Como era possível jogar em dupla, ela
proporcionou muitas amizades por aquí. Até porque o jogo era muito cooperativo,
onde muitas pessoas só conseguiam fecha-la jogando “de dois”. Não me lembro de pessoas que fecharam este
jogo na época jogando individualmente.
Eu, como qualquer criança de 9 anos, parecia um soldado
amedrontado que saia atirando desesperadamente pra qualquer lado que o nariz
apontava. Com certeza era uma das minhas piores atuações em games de todos os
tempos.
Apesar de gostar muito deste jogo, só pude fecha-lo no
emulador, até porque esta maquina deve ter durado por aqui no máximo até o
inicio de 1992.
Mais legal ainda é que a primeira vez que fechei este jogo
eu estava jogando com meu filho de 7 anos. Créditos infinitos é verdade, mas
mesmo assim foi muito marcante...
Bom trabalho, soldado!!!
E você soldado, lembrava-se deste game?
Fala aí...












